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Carlos Eduardo Ribeiro | e-mail | Rio de Janeiro, Brazil
Assista, e não mais se contente apenas com as informações passadas (leia-se: manipuladas) pelos meios de comunicações. Abandone agora essa sua posição medíocre de mero espectador, e passe a ter uma posição proativa com relação aos acontecimentos sociais que estão ocorrendo agora na sua cidade,bem abaixo do seu nariz!
Aliás, pare de pensar que o MUNDO gira em torno de você e de suas vontades. Que sua impossibilidade de ir ao Fashion Mall fazer compras, devido ao grave problema social instaurado pela alargamento das divisas humanas, se resolverá com a construção de muros.
Diga não a "imbecilidade dominante", e deixe de ser mais um, e torne-se um ser pensante. Que não se contenta com soluções criadas e impostas pelos outros. Abandone sua confortável vida nem que por um instante e ganhe 100 minutos refletindo sobre a vida na cidade do Rio de Janeiro, não mais para tecer comentários preconceituosos, mas para começar a entender que somente uma máxima é verdade: em pleno Século 21, no Brasil ainda existem milhares, milhões de pessoas que vivem escravizadas, de uma escravidão que nenhuma legislação poderia livrar, como não o fez a Lei do Ventre Livre nem a Lei Áurea - a ESCRAVIDÃO DE OPORTUNIDADES!
Desacreditem em tudo que lhe disseram até hoje sobre o combate da criminalidade, não mais acredite que o simples aumento das penas mudará tal quadro, e que o aumento do rol de crimes hediondos seria o milagre por nos esperado.
ASSISTA, e se concientize de que não existe FÓRMULA MÁGICA para GERIR tamanha diferença social, por nos mesmo GERADA!!!
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Uhla Gopret | e-mail | São Paulo, Brazil
Pare, mundo. Eu quero desembarcar. Aqui não posso continuar, sabendo de tanta coisa triste e de tanta injustiça. Tanto poder nas mãos dos insensíveis e tão poucas opções disponíveis para os pobres e marginalizados. Não quero mais viver neste planeta. Dói demais voltar para casa e seguir adiante, ter que respirar e viver em meio a tanto infortúnio em relação ao qual praticamente nada posso fazer.
Que bicho me mordeu? Acabo de vir do cinema, onde assisti confortavelmente sentada numa das melhores salas da cidade, ao filme Justiça. Justiça, o nome do filme! Ali conheci Deus, quer dizer, os detentores do poder sobre a vida e o destino dos homens. Juízes empolados e fantasiados de sábios, que não sabem o que é estar desamparado e sem oportunidade de aspirar àquilo que eles receberam graciosamente só por terem nascido em lares onde havia dinheiro, perspectivas, facilidades, distância dos problemas sociais e da fome. Eu, que sempre amei tanto a vida, ali tive vontade de morrer. Só para não ter que conviver com essa lembrança.
Algo dentro de mim pede por ação. Alguma coisa em mim, que não sei o que é e nem mesmo sei de onde vem, me diz que há muito trabalho nobre a ser feito, mas me desespera o pensamento de que uma solitária formiguinha é capaz de ser mais efetiva do que uma voz em meio a tanta incompreensão.
Ao meu lado, dentro do cinema, pessoas riam da infelicidade dos personagens vilões da tela. E ali na tela os vilões eram os desesperados. Os desesperados provocam, na nossa sociedade, pavor e ódio. São um enorme perigo ao nosso conforto.
Como seríamos cada um de nós se tivéssemos nascido nas mesmas condições que aqueles miseráveis? Conseguiríamos ser um cisco melhores do que aqueles criminosos, se vivêssemos a vida que eles viveram e vivem? Não, estou certa de que não. Para nós estão disponíveis patologias e desvios muito mais bem aceitos socialmente. Podemos nos declarar deprimidos, ansiosos, passionais, ocasionalmente desequilibrados devido a algum justificado estresse. E temos os recursos necessários para nos curar de qualquer um desses política e socialmente aceitos males. Seremos até bem vistos e dignos de compaixão, caso nos tornemos desviantes de classe média. Ah, e poderemos até alegar que uma das razões de nossa patologia é o fato de termos que lidar com o alto índice de criminalidade com o qual temos que nos defrontar no nosso dia-a-dia.
Estou tão triste e descrente que gostaria, como Fernando Pessoa de algum modo já disse em outro momento, de ter certeza de que Deus existe só para poder odiá-lo e atacá-lo desrespeitosamente. Mas, se ele existisse mesmo, seria tão pequeno, mesquinho e frio, que estaria se divertindo com este meu tolo sofrimento, da mesma forma que estaria se esbaldando com a dor de toda essa gente sofrida de nossa maioria marginalizada e desprotegida.
Estou infinitamente desconsolada. Não posso olhar para o futuro e pensar nas pequenezes das minhas aspirações, tão fáceis – agora vejo – de serem concretizadas, quando tanta injustiça é perpetrada diariamente aos meus irmãos.
Me vem à mente a figura de Che Guevara. De algum outro modo, mas na mesma direção, esse homem corajoso, forte e doce foi capaz de dedicar o resto de sua vida à causa da libertação e do que ele entendia por justiça. Não importa se aquilo em que ele cria era a justiça suprema. Importa que ele se moveu, viveu e respirou o desejo de igualdade para todos. E até hoje é um modelo de idealismo e anseio de melhorar o mundo.
Eu penso agora que a vida não pode adquirir sentido se nos quedamos imóveis diante do sofrimento do outro. A própria idéia de céu que o cristianismo hipócrita apregoa se me afigura revoltante. Quem, em sã consciência, poderia almejar um céu por seus bons serviços prestados e gozá-lo eternamente, sabendo que tantos outros seres humanos sofrem inacreditavelmente à mercê de seus irmãos perversos ou, no mínimo, indiferentes?
Eu faria como Jesus. Preferiria morrer numa cruz qualquer. É o melhor caminho a seguir. Foge-se de ter que assistir à vitória da iniqüidade sobre a nobreza de espírito. É melhor morrer a viver em meio a um mundo que premia os ambiciosos, que ensina o caminho da vantagem e do benefício a si próprio.
Não há leis para os desvalidos. Prova disso são nossas prisões superlotadas de negros, pobres, órfãos, todos arrasadoramente desprotegidos.
Hoje tive vontade de agredir. Poderia matar, talvez. Mas como nunca estive submetida à ferocidade da privação de afeto e bens materiais básicos à minha sobrevivência e fui também privilegiada por ter nascido numa família estruturada e amorosa, sou incapaz de transgredir. Deve ser por isso que agrediria ou mataria a mim mesma, antes.
Na saída do cinema, ao abrir a porta do meu carro para vir para casa, ainda em lágrimas pela mobilização emocional que o filme provocou em mim, tive que esperar a passagem de um enorme caminhão de lixo que me impediu de abrir completamente a porta. Nesse instante, e por um milésimo de segundo, veio-me como um relâmpago a idéia de atirar-me sob as rodas daquele caminhão. Nunca tinha me ocorrido tal idéia. Nunca quis morrer. Nunca planejei fugir da vida de verdade. Mas foi tão forte o desejo de não participar dessa nossa sociedade suja e baixa, que desejei não estar aqui.
Senti-me insignificantemente pequena para poder suportar o peso de saber tanta tragédia. Pareceu-me impossível seguir adiante convivendo com a crueza dessa verdade. Deixei o caminhão passar e entrei no meu confortável veículo, moderno, cheirando a novo, que me conduziria ao meu confortável apartamento nessa cidade de merda, nesse país falido desse mundo fodido.
Estou atravessada de dor. Gostaria de encontrar o Alan, o Carlos, o cara que roubou o celular do pastor no velório. Abraçá-los e pedir-lhes perdão. Perdão pelos erros daqueles que deveriam ter-lhes protegido, pela postura insana dos seus juízes, pela crueza e perversidade irrefletida dos policiais, pelo meu conforto material. Acima de tudo pedir-lhes perdão por terem sido enganados sobre a existência de um deus justo e bom que os guiaria.
Não posso compreender nada disso. Penso nos meus propósitos de trabalhar para adquirir independência financeira e poder viajar para conhecer outros países, conhecer o mundo e sinto-me tão insignificante, que a dor na alma que me abate nesse momento me faz pensar que, em qualquer lugar que eu vá, estarei vendo, para o prazer dos meus sentidos, apenas o envoltório dourado de uma pílula muito amarga. Porque a terra só é azul vista de longe. Aqui, bem de pertinho, é um desbotado caleidoscópio de terror, um caos povoado de pântanos, profundas crateras, vastos desertos e alguma pequena porção de bonitas paisagens e gente bonita, sobre uma base de fogo revolto que, vez por outra, eclode em fúria vulcânica, terremotos e maremotos denunciadores da força da catástrofe sobre a qual vivemos e que brincamos de ignorar ingenuamente.
Quem somos? De onde viemos e para onde vamos? Que raio de coisa estamos fazendo aqui? Talvez sejamos mesmo pequenos seres inconscientes vindos ao acaso de uma reação química qualquer, programados maliciosamente para viver num inferno de emoções contraditórias, irremediável e ironicamente destinados a morrer a qualquer momento, por obra dessa mesma natureza caótica e sem sentido.
Desconsolo e frustração são palavras vazias e muito pouco adequadas para expressar o que sinto agora. Estou muito, muito cansada. Talvez eu deva ir dormir.
É. Vou dormir. Nesta cama macia e confortável que tenho. Perdão, meus irmãozinhos presos, por isso. Agora não consigo pensar em nada que possa fazer por vocês. Agora vou dormir, porque sou privilegiada e posso. Amanhã verei como acordo. Porque também posso deixar para amanhã para voltar a pensar no problema de vocês. E talvez amanhã eu já pense em vocês com muito mais distância do que agora. Talvez nem me emocione tanto, passada essa catarse que agora quase me consome. Talvez até, ao ler esse desabafo, ache-o um tanto exagerado.
Se assim for, perdão novamente. Porque só vocês poderiam perdoar. Acho que ninguém mais.
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Márcia Arruda Pinheiro | e-mail | Arraial do Cabo, Brazil
Na qualidade de Defensora Pública de Classe Especial do Estado do Rio de Janeiro, havendo ingressado na carreira em 1982, conheço bem o que é um processo penal e sua dinâmica, além das aflições, dores e desespero que tomam conta daqueles que dele participam e dos que nele estão envolvidos de forma indireta (refiro-me, aqui, principalmente, às famílias dos acusados).
Conheço, também, o trabalho brilhante desenvolvido por minha colega Maria Ignez Kato, digna representante da classe dos Defensores Públicos.
Quanto ao Magistrado Geraldo Prado, seu nome, para quem milita, como eu, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, já é um cartão de visitas.
Parabéns, ainda, à diretora Maria Augusta Ramos, pela escolha acertada do tema e pela grandeza de sua obra, que bem retrata a justiça brasileira e que se torna merecedora de ser vista por todos, dentro e fora do Brasil.
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Cygne Baak | Amsterdam, Netherlands
We have to better the economy and social security, so that those people won't have to steal and hustle anymore.
PREVENTION INSTEAD OF REPRESSION!!!!!
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